03 março 2011



Bem que poderia existir uma ilha,
um arquipélago,
algum lugar neste planetinha azul aonde pudéssemos ir pra ter paz...

Pra dar um tempo do nosso egoísmo,
pra dar um tempo do nosso estresse,
pra dar um tempo da nossa tristeza,
que não leva a nada, e tanto cultivamos a necessidade deles...

Um lugar que buscamos nas drogas, na religião, no consumo...

Seremos tão pouco merecedores da felicidade?
Ou estaremos completamente equivocados em nosso padrão de pensamento?
Porque somos tristes? Porque somos sofredores?

Mas essa ilha de paz, dessa maneira, não há...
mas sabe que pensando bem uma maneira certo pode dar....

Dentro de nós reside a nossa essência, inquieta, observando o mundo, observando nossos próprios pensamentos, e comparando, revendo, contestando o que vem. Essa é a voz da verdade, uma voz que sussurra baixinho, no mundo de dentro, algo que há muito nos disseram e já sabemos, mas não cremos ou esquecemos.

Quanta culpa nos colocam por querermos a felicidade!

Quão infeliz querem que creiam que devemos ser pelos noticiários?
Porque tanta insistência em nos dar a culpa e a consciência da culpa sem nos dar uma solução clara e simples? Porque nos eternizar na culpa?

Se queremos ver como devemos progredir, olhamos pra cima,
pra ver como somos felizes, olhamos pra baixo,
mas pra não perder o rumo da vida, olhamos sempre pra frente,
e pros momentos de dúvida levamos na lembrança nossas pegadas que ficaram pra trás...

Não viemos pra cá pra aprender e recomeçar?
Não estamos aqui pra ver e assimilar?
Não estamos aqui pra sentir e provar?
Quem paga o preço de nossas vidas, não somos nós mesmos?
Então, pra que o medo?



E a voz que mora no lado de dentro de nós pergunta:

- Vale a pena sofrer tanto pela vida, sabendo que o dinheiro, poder e as decisões estão nas mãos de poucos, e esses poucos nada sabem sobre os muitos outros?

- Vale a pena trabalhar tanto e enriquecer os poucos que pouco ou nada sabem sobre os outros?

- E as águas que passam, a chuva que vem, o dia que vai? E as semanas que passam lentas, e os anos que passam rápidos demais? Que fazemos com nosso tempo?

Somos o que sabemos, somos o que seremos.

Um instrumento musical,
uma luta, ou melhor arte marcial,
um exercício aeróbico matinal,
uma leitura sensacional,
um desenho infantil que seja,
um erro arrependido que não quer que ninguém veja,
um pensamento que vira palavra,
um pensamento sem trava,
uma mente que devaneia e viaja...

A libertação vem de um processo demorado, que nasce na indignação com a desigualdade, estupidez, injustiça e cegueira do mundo e de nós mesmos. Ruptura. Ruptura. Ruptura com tudo o quanto é antigo e obsoleto. Ruptura com tudo quando é injusto e opressor. Ruptura com o sistema que nós mesmos criamos, um monstro que alimentamos e está prestes a nos devorar. Desapego. Desapego. Desapego.

Ruptura com os que sugam o petróleo do chão para nos vender a preços estratosféricos, às custas de nosso trabalho para construir Dubai, e outros impérios do mortal óleo...

(Ruptura com os que definem nossos meios de transporte,
nossa população mundial,
os países que serão e não serão invadidos,
com nossas bombas que explodem o planeta inteiro e mais um pouco...)

E a nossa ilha de sossego,
e a nossa terra de proteção,
é esse lugar microscópico,
um átomo no coração...

(que brilha sempre, com a luz de uma explosão)

Um comentário:

Gabriela Dal Colletto disse...

Gostei muito da postagem. É maravilhosa a forma como coloca a "paz"! Uma forma simples e extremamente notória.